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Jovem planejou por um ano matar estudante em escola após ser rejeitado

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G1 - Notícias, 06/11/2017 15h20 - 291 vizualizações

Polícia Civil diz que Misael Pereira Olair, 19 , preso suspeito de matar a tiros a estudante Raphaella Novinski, 16, planejou o crime por um ano. A jovem foi morta, na manhã desta segunda-feira (06), dentro de um colégio estadual de Alexânia, no Entorno do Distrito Federal. Segundo a delegada Rafaela Azzi, Misael cometeu o crime porque foi rejeitado pela vítima.

"Eles moravam no mesmo bairro. Ela era conhecida de vista, então, ele a adicionou no Facebook, tentou se aproximar, mas ela recusou. A cada recusa, ele tinha mais raiva, então o amor se tornou ódio e há um ano premeditou matá-la. Foi o tempo para juntar R$ 2,3 mil para comprar revólver e munição", disse a delegada.

Segundo a investigadora, o rapaz, que já foi ouvido e encaminhado para o presídio da cidade, deve ser autuado pelo crime de feminicídio.

"Inicialmente, foi homicídio qualificado, mas depois da oitiva se vê que se trata de uma situação de gênero, por visualizar a mulher como propriedade, ceifou a vida dela, atirou no rosto de uma menina que não quis se relacionar. Vê a desqualificação da mulher", explicou Rafaela.

A delegada conta que o autor afirmou que não se arrepende. "Alexânia foi surpreendida por um crime dentro de uma unidade educacional. Estamos perplexos com a situação, com a frieza dele, com a falta de arrependimento. Ele diz que não está arrependido".

Ainda de acordo com Rafaela, o suspeito afirmou que pretendia se matar após o crime. "No final do interrogatório, ele deu uma risada e disse: 'vou contar, eu ia dar cabo na minha vida com uma mistura de chumbinho que vi como era feito na rede social'. Ia tomar o veneno e efetuar um disparo, porque não queria sobreviver", disse a delegada.

O crime

Raphaella foi morta por volta das 7h50 desta segunda-feira (06), dentro do Colégio Estadual 13 de Maio, onde cursava o 9º ano do ensino fundamental. De acordo com a delegada, Misael entrou na escola, invadiu a primeira sala de aula do corredor, mas não encontrou a vítima. Em seguida, ele entrou na segunda sala, foi direto ao local onde a adolescente estava e disparou vários tiros contra ela, que morreu no local.

"Ele nos disse que foram 11 disparos, todos eles no rosto da menina. Tudo isso reforça o indício de crime passional, ele tinha estudado na escola no ano passado e tinha guardado este sentimento de ódio. Nós já ouvimos o depoimento dele, agora vamos seguir os procedimentos", afirmou a delegada.

Segundo a investigadora, Misael afirmou que "sentia ódio" da vítima e que, por isso, resolveu comprar uma arma e matá-la.
"Ele alega que é conhecido 'de longa data' da vítima, e que sentia muito ódio da menina. A partir do depoimento dele entendemos que ele tentou namorar com ela, mas foi rejeitado. Por conta disto, resolveu comprar uma arma, adentrar na escola onde ela estava e ceifar a vida dela", disse.

Um funcionário da escola, que preferiu não se identificar, contou que o autor dos disparos pulou o muro e entrou no corredor da sala em que a vítima estudava, onde havia cerca de 30 alunos. "Ele estava de máscara, colocou a cabeça na sala do 9º ano B, viu que ela não estava e foi para a sala ao lado. Entrou, foi em direção à vítima, que estava sentada no fundo, e atirou", relatou.

Segundo o funcionário, ao ver o jovem sacando a arma, os alunos saíram correndo em desespero. Após atirar contra a vítima, o rapaz fugiu para os fundos da escola e pulou o muro novamente. Ele foi preso a cerca de 300 metros da instituição.

Em nota enviada, a Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) também destacou que Misael "teria pulado o muro da escola mascarado para efetuar os disparos". Em seguida, foi preso quando tentava fugir em um Ford Escort. Com ele foi apreendido um revólver calibre 32.

Ainda segundo a nota, "três psicólogas e uma assistente social da Coordenação Regional de Educação, Cultura e Esporte [Crece], de Anápolis, já foram deslocados para Alexânia para apoiar a equipe da escola, alunos e familiares. Uma equipe da Seduce também se deslocou para o colégio".

A Seduce ressaltou, ainda, que "a escola dispõe de câmeras no pátio e dois vigias noturnos para promover a segurança". Por fim, a secretaria lamentou o crime "e informa que trabalha em um esforço contínuo para manter a paz e a fraternidade no ambiente escolar".

Comparsa

Segundo a Polícia Civil, Misael usou uma máscara para invadir o colégio e teve ajuda do comerciante Davi José de Souza, 49, para cometer o crime. O homem também foi detido e, por volta das 14h, permanecia na Delegacia de Alexânia.

A delegada explicou que ele pode responder por favorecimento pessoal ou pelo mesmo crime que o atirador, feminicídio, já que, segundo ela, ele foi o responsável por dar carona ao suspeito até a escola. Davi deve ser ouvido novamente.

Advogado de Davi, Joel Pires de Lima, explica que o cliente é amigo da família de Misael e não imaginava que estava levando o jovem para cometer o crime.

"Ele disse que o Misael pediu para o Davi o levar até lá e pediu para esperar. Quando viu um rapaz mascarado e armado correndo, achou que era um assalto, nem pensou que era o Misael. O mascarado entrou no carro e disse: 'sai daqui se não eu atiro, sai da cidade'", relatou o advogado.

Ainda segundo Lima, ele tentou dar voltas e encontrar uma viatura para entregar o passageiro. "Foi um susto, ele não imaginava, mas está tranquilo que tudo será esclarecido", concluiu o advogado.

Segundo a polícia, Misael e Davi não tinham antecedentes criminais. A corporação ainda tenta confirmar a procedência do revólver apreendido com Misael.

Desespero

O tio da estudante disse, em entrevista, que chegou "desesperado" ao colégio logo após o crime, e que viu a sobrinha dando "os últimos suspiros".

Roberto Pereira da Silva contou que era ele quem criava a adolescente e que nunca soube de nenhuma ameaça ou algo que colocassem em risco a vida da sobrinha.

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